Raissa Cunha, aluna de Design de Moda, realiza exposição que discute o estigma da pele na contemporaneidade

Por Luiza Campos

O trabalho de conclusão de curso da aluna de Design de Moda da Universidade FUMEC, Raíssa Cunha, que ingressou no curso em 2012, é surpreendente. Denominado Vena – Imperfeita pele invisível, alia design de superfície à estampas e texturas orgânicas em objetos que transitam pela moda, mas não se atêm a ela. Para demonstra-los, a estudante optou pelo formato de exposição, que garante maior liberdade para experimentos entre o têxtil e o gráfico. Primeiramente, foi desenvolvida uma coleção de estampas que representam todos os conceitos abordados e, logo após, peças que transitam pela indumentária com trabalhos manuais, bordados, serigrafias e texturas tridimensionais. Os interessados podem conferir a mostra no dia 13 de dezembro, na Torre Alta Vila, em Belo Horizonte.

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Foto: Dilson Ferreira

 Inspirada pelo livro de Michel Pastoureau, O pano do Diabo – a história das listras e tecidos listrados, a proposta se baseia na discussão de como a moda pode apresentar pautas sociais que vão além do vestuário.  “No livro, o autor relata a relação entre as listras como estampa simplória e sua relação de estigmas entre profissões e posições sociais na época medieval e sua mudança até os tempos hoje. Pensando nisso, quis me aprofundar mais em possibilidades dessas relações, então eu cheguei na conclusão da interação entre pele e estigma”.

A partir dessa ideia, autores como Erving Goffman, que apresenta o conceito de estigma e de indivíduos estigmatizados, e Mirian Goldenberg, que escreve sobre a relação entre corpo e envelhecimento, também foram fontes de inspiração. Esse entrelaçamento entre a pele e a estigma se revela, no trabalho de Raíssa, em estudos de diferentes materialidades do têxtil e do gráfico, com tecidos como etoile, tule e voil, que agem como representantes da fragilidade de transparência da epiderme.

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Foto: Dilson Ferreira

O projeto é dividido em quatro estudos com diferentes temáticas. O primeiro é o do Trauma, que trata da violência doméstica, agressões, acidentes ou automutilação, que traumatizam a pele causando permanentes danos que a reconfiguram em uma nova estética. Já o estudo dos Sinais trata da ação do tempo e suas consequências, como enrugamento e marcas profundas de experiência. O Contraste revela manchas únicas, sejam remanescentes de expressões naturais de nascimento ou mesmo advindas de doenças, como o vitiligo. Por fim, a Tradição, que retrata escarificações tribais africanas, cicatrizes causadas por cortes intencionais a fim de criar padronagens com significado único para cada tribo. A Imperfeição atua como um conceito velado que abrange todos os outros e foi a base para o desenvolvimento do projeto. “As marcas gráficas corporais revelam variados graus de relações estigmatizadas perante ao que a sociedade vê como normal. A proposta do projeto é abrir a discussão de que a pele imperfeita não é apenas normal, é natural”, defende Raíssa. A cartela de cores da coleção estampas também foi extraída diretamente da derme, criando, então, uma gama única e autêntica para as pigmentações.

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Foto: Dilson Ferreira

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