Pesquisa, P&D Design, congresso: o olhar de uma aluna estreante

Por Lorena Moura

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Entre os dias 4 e 7 de outubro foi realizado em Belo Horizonte a 12ª edição do P&D Design – Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design. Trata-se do maior evento na área de Design no País e reúne pesquisadores de todos os estados, além de convidados internacionais. O congresso se constitui como um espaço qualificado para a difusão, trocas e debates sobre investigação do campo do Design, envolvendo pós-graduação, iniciação científica, egressos, profissionais, empresas e instituições. Os professores do Design da Universidade FUMEC, Juliana Pontes e Rafael Neder Barroca, apresentaram, respectivamente, os artigos “O pensamento projetual como campo relacional: técnica, composição visual e linguagem nas relações contextuais” e “Dos livros aos tipos: um inventário gráfico da tipografia do Zé”. Já a professora do Design e do Design de Moda, Andréa Vilela, expôs o paper “A coroa dos oprimidos: Design de Moda e identidade em comunidades”, escrito em parceria com a aluna Ana Luiza Diniz.

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Ana Luiza conta que o artigo apresentado vem sendo desenvolvido sob orientação da professora Andréa Vilela. A pesquisa do qual ele é resultado parcial busca entender as relações entre moda e identidade em um determinado contexto social, passando pelo consumo de moda dentro das comunidades urbanas. Ela tem como objetivo compreender como o designer de moda, a partir dos princípios do design social, pode contribuir com a construção da identidade das comunidades e dos indivíduos que dela fazem parte, considerando as particularidades locais; e como ele pode promover o empoderamento dos membros.

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A aluna, que está cursando o 4º período de Design de Moda, é uma das integrantes do projeto e teve sua primeira participação em um evento desse porte. Em sua contribuição para a pesquisa, ela estudou dois casos que utilizam os turbantes como ferramenta de empoderamento e resgate da ancestralidade africana. Ana nos conta que o título do artigo foi baseado nos estudos de caso dos turbantes. As mulheres utilizam esse elemento “como um ato político, que extrapola a mera função estética da peça, e chamam o turbante de ‘coroa’ como forma de reforçar o seu simbolismo”. Nas religiões de origem africana, como o candomblé, o acessório tem como função proteger o “ori”, que significa “cabeça”, na língua yourubá. Essas mulheres promovem o uso deles para auxiliar a militância negra, reverenciando sua cultura e, assim, criam um senso mais forte de identidade e comunidade, gerando auto estima e bem-estar social.

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Sobre a sua experiência em apresentar o artigo no Congresso, Ana relata que ficou bastante nervosa, mesmo tendo certa experiência em falar em público. Apesar disso, tudo correu conforme o planejado e ela teve um feedback positivo de algumas pessoas que estavam assistindo, recebendo indicações de autores e filmes que poderiam contribuir em sua pesquisa. “Foi uma ótima experiência! ”, conta.

Os projetos de pesquisa da Universidade FUMEC, em todas as áreas de atuação da universidade, abordam assuntos e temas diversos. A aluna nos conta que para participar é necessário ter interesse e disponibilidade para comparecer às reuniões e pesquisar. Os encontros do projeto do qual ela participa acontecem uma vez por semana, e tem como objetivo discutir textos e obras relacionadas ao objeto de estudo, distribuir tarefas e apresentar o que tem sido pesquisado por cada estudante. Atualmente, os integrantes são três alunos bolsistas e alguns voluntários.

Para Ana, a oportunidade de participar do projeto surgiu por vontade própria. Ela procurou a professora Andréa Vilela, disse que tinha interesse no assunto e gostaria de participar. Começou como voluntária, e, pouco tempo depois se tornou bolsista. Perguntada sobre como está sendo sua experiência, ela nos conta que “tem sido muito interessante, rica, e até transformadora, porque esse projeto, especialmente pelo tema de pesquisa que é o design social, nos faz refletir sobre situações e transformações pelas quais o mundo está passando que, para muitos do design, muitas vezes passa batido. Lidamos com inovação social, o que me dá a esperança de que podemos vir a fazer diferença, e impactar a sociedade de forma positiva. Outro aspecto interessante é que o projeto é interdisciplinar, pois lidamos com sociologia, arte e design, dentre outros campos do conhecimento, e eu acredito que a interdisciplinaridade é essencial no contexto atual em que estamos vivendo”.

 

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