As linguagens de moda de Gui Legnani

Formado em Design de Moda, Gui Legnani, 24 anos, conta um pouco para Armazém sobre seus projetos no espaço A Alfaiataria. Para Legnani, o mais importante é, além de apresentar uma moda cativante e prática, que seja capaz de contar histórias, também permitir que o consumidor articule sua própria linguagem de moda. ‘’A gente cria sem pensar se aquilo é pra homem ou pra mulher, mas acaba que, na hora de mostrar e vender, aquilo vai se definindo pelo público’’, comenta o designer. Confira a nossa conversa com ele.
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Conte para nós sobre a galeria Amdo.

Gui: Galeria de moda que articula diversas ações para fomentar a cena da moda local, mas com um foco em designers iniciantes e pequenos produtores, que precisam de iniciativas alternativas para ingressar no mercado, criar e mostrar seus produtos, contar suas histórias. Eu fui convidado para participar do projeto em abril deste ano, quando ele iniciou, com a abertura da A Alfaiataria, espaço loja/galeria/bar/escola que tinha a intenção de aproveitar um espaço que estava para ser demolido, na Rua Santa Rita Durão. Lá, realizamos um desfile e tivemos a oportunidade de expor e vender nossos produtos durante três meses. Desde então, os designers representados pela galeria participaram de mais algumas ações como uma exposição de instalações no espaço Sumisura, parte da programação da feira DMais Design e, mais recentemente, exposição de fotos e produtos em um container no evento A Savassi é Nossa. O interessante da galeria é que ela repensa os modos de fazer da moda e da arte, propondo novas maneiras, novos diálogos, novas aproximações, novos ambientes em um momento em que as operações comuns tem estado bastante engessadas. E participar disso tudo tem sido uma oportunidade bastante enriquecedora. Além disso, todos os envolvidos são pessoas e criadores excepecionais e estar ao lado deles só traz crescimento.
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Sobre sua marca com Camila Interlandi. Existe alguma relação com o seu TCC?

Gui: O Projeto Motus, meu e da Camila Interlandi, não é na realidade, uma marca. Chamamos de “projeto” exatamente porque estamos definindo o que ele é e vai ser aos poucos. Talvez a gente desenvolva só uma coleção juntos, talvez não. O projeto tem esse caráter mutante e fluido e o processo de criação de tudo é o mais importante para nós. Nós estamos criando uma coleção inteira via whatsapp, e-mails, nos reunindo em cafés, ou em qualquer espaço que tenha uma mesa, o que eu acho que mostra bem como os processos de criação/produção das coisas podem estar sofrendo um processo de mudança importante. Nós nos unimos para criar uma coleção, pois, ao trabalharmos próximos durante o TCC e na AMDO, percebemos uma afinidade tanto pessoal, quanto profissional e, então, resolvemos desenvolver juntos a segunda coleção de cada um. O ponto de partida do projeto foi o movimento futurista e uma intenção de reinterpretá-lo, cruzando seus conceitos e referências visuais com outros universos que consideramos inspiradores. Eles vão desde a glitch arte, passando por trabalhos de fotógrafos como os irmãos Bragaglia e Idris Khan, até o filme Her, que constrói uma visão de futuro coerente, lúdica e apaixonada, ao mesmo tempo. Nossa intenção é também propor novos diálogos, parcerias e suportes e mostrar para o público um trabalho de moda autoral e inspirador.

Acredito que o Motus tem alguma relação com a primeira coleção de cada um, a do TCC. Nós dois possuímos uma referência de moda e comportamento de rua forte em nosso trabalho que vem desde o TCC e se manifesta na Motus também. Somos ambos apaixonados por aquilo que acontece na rua e como as pessoas se vestem para se inserirem nesse contexto. O estudo e a observação de grupos jovens também é algo que carrego desde o meu TCC e que inspira o projeto. Além disso, o modo de pensar moda pode ser considerado uma evolução do primeiro trabalho. Acredito que na época, aprendi que a moda pode traduzir e produzir fenômenos importantes, quando é bem estudada como disciplina teórica e aplicada e pretendo levar isso para todos os meus trabalhos. A parceria é um campo diferente, que tem sido ótimo explorar. Além disso, estamos produzindo uma coleção com peças femininas também, o que é novo pra mim. Mas na verdade nem eu, nem Camila pensamos muito sobre essa questão de gênero ao criar: a gente cria sem pensar se aquilo é pra homem ou pra mulher, mas acaba que, na hora de mostrar e vender, aquilo vai se definindo pelo público.

Nossos primeiros produtos serão vendidos na Mooca, uma loja e iniciativa colaborativa que vai abrir dia 10 de novembro, na Savassi. Em breve, faremos um lançamento oficial na A Alfaiataria, que retomou suas atividades agora e, onde continuo expondo e vendendo meu trabalho individual.

CONTATOS

-Projeto Motus:
fb.com/proj.motus

-Guilherme Legnani:
guilegnani@outlook.com
@guilegnaniclothing

-AMDO
www.amdo.com.br
@amdogaleria

-Camila Interlandi
camila.interlandi@gmail.com
www.camilainterlandi.com

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