Ex-aluna da FUMEC conta sobre sua vida profissional na Índia

Formada em Design de Moda pela Universidade FUMEC há 2 anos – e apaixonada por tudo que vivenciou no curso – Carouu Dupin comenta sobre a empresa que trabalha, as diferenças culturais e sobre sua percepção de moda global.
“Hoje completa um mês que estou aqui e amo cada diferença e cada aspecto dessa terra. A comida que você pede sem pimenta e vem apimentada (amo! minhas amigas colombianas que sofrem), as mães pedindo pra você tirar foto segurando as crianças no colo, o calor insuportável que faz o céu ao entardecer ser uma das cenas mais lindas da vida; é tudo tão bom de vivenciar e apreciar. Estou muito feliz de estar aqui e espero que todo mundo, algum dia, seja capaz de ter essa visão de mundo fora da sua zona de conforto porque é imperdível’’.
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Como você conseguiu esse emprego na Índia?
Em meados do mês de maio desse ano, eu estava com a professora Vanessa Madrona, conversando sobre mestrado fora do país, e ela me sugeriu conversar com o pessoal das Relações Internacionais. Foi nesse momento que conheci a Marina (Von Dollinger), que me indicou a AIESEC. Algumas semanas depois eu já estava maravilhada com a possível ideia de trabalhar fora do país. Fiz meu cadastro no site da AIESEC e lá procurei por vagas de intercâmbio profissional em Moda. Conheci o pessoal do escritório em BH (uns amores!) e logo tive um feedback positivo do meu currículo. Fiz uma entrevista via Skype com o pessoal da empresa indiana e uma semana depois eu estava aprovada para a vaga, correndo contra o tempo para organizar tudo e partir.

Conte um pouco sobre seu trabalho e sobre sua percepção global de moda.
Trabalho diretamente com uma indiana de Mumbai, também intercambista na empresa, e fiz amizade com um indiano daqui de Jaipur, cidade onde estou, e ambos são pessoas maravilhosas e parece que já nos conhecemos há anos. Vim trabalhar como designer de Moda numa marca chamada JaipurME, que trabalha com exportação há mais de 20 anos. Então quando tive acesso ao showroom deles, foi possível notar a variedade e o aspecto global das peças. Claro que kaftans e batas não ficam de fora, mas muitos vestidos curtos com cintura marcada e sem manga também apareceram em quantidade. Do Brasil, eles já trabalharam com Le Lis Blanc e nos últimos dias estávamos em contato direto com compradores da Alemanha. É muito interessante perceber as diferenças e reconhecer os pontos comuns entre o que uma consumidora indiana compraria e uma brasileira, por exemplo. Nos shoppings também é possível notar os nichos. As lojas de departamento têm espaços dedicados a modelos com cortes globais, mas também às peças tradicionais indianas. Fazendo uma pesquisa de tendência, vi que em algumas semanas de moda aqui na Índia, o público feminino usa roupas curtas, transparências e ombros à mostra. Ao passo que também havia street style com trajes tradicionais. Em conversa com um dos meus colegas de trabalho, ele disse que depende do quanto a sua família preserva a tradição. As meninas adolescentes, por exemplo, podem tanto usar calças jeans e camiseta, quanto sarees.

O que mais te animou a ir?
Eu sempre fui meio que apaixonada pela Índia e não sei explicar o porquê. A comida é maravilhosa, as cores das roupas e das cidades, a arquitetura, as próprias pessoas, os rituais; tudo têm uma conexão muito boa comigo.
carouudupinQuais foram suas inseguranças com a viagem?
As inseguranças surgiram mais pelo fato de estar sozinha, num lugar onde se você gritar “Ai meu Deus!”, em português, ninguém vai entender. Minha outra experiência fora do Brasil foi com colegas da FUMEC, então foi bem diferente do que estou vivendo agora, foi mais tranquilo. Mas o semi-pânico passou depois que eu cheguei e me instalei numa casa/alojamento com mais outros intercambistas. Acho que o fato de estarmos todos na mesma situação faz com que a gente se aproxime mais rapidamente. Fui recebida por uma chinesa com quem dividi quarto por menos de um mês e pareceu que nos conhecíamos desde a infância. O mesmo aconteceu com as outras pessoas que sempre foram solícitas e se dispunham a dividir informações e curiosidade sobre o local, por exemplo. Posso dizer que me preparei bem psicologicamente para a viagem. O choque cultural não foi tão gritante porque eu já conhecia alguns aspectos, mas vivenciar é sempre diferente.

E quais foram as diferenças culturais mais notáveis?
No aeroporto de Abu Dhabi eu já me policiava para não olhar demais para as moças em suas burcas. E na minha mala não havia nenhum sinal de blusas sem manga ou shorts e saias curtas. Eu incorporei a ideia de que estava indo para um lugar muito diferente de onde eu vim e que deveria, sim, me adaptar 100%. Apesar de vários locais e pessoas falarem inglês, posso contar nos dedos quantos taxistas respondiam ao meu “Can you speak english?” com um “Yes m’am!”. Então a barreira da língua também é notável e eu espero muito sair daqui sabendo algumas coisinhas em Hindi. Mas nem por isso os indianos deixam de te ajudar ou não se forçam para entender o que você quer dizer. São pessoas muito amáveis e muito prestativas.

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