Agenda – Bienal Brasileira de Design 2015

A Armazém Design conversou com a designer de produto Cristina Abijaode sobre a Bienal Brasileira de Design 2015, pois ela é uma das responsáveis pela indicação dos projetos de Minas Gerais. Cristina é uma profissional reconhecida na área, além de professora da Universidade FUMEC e da UEMG nos cursos de Design.

fotoCris

Bienal Brasileira de Design 2015 – Seleção Minas Gerais

O tema da Bienal Brasileira de Design 2015 é o Design para Todos. Os temas das bienais são indicados por uma comissão e nem sempre o curador participa desta indicação. O Design para Todos tem uma abordagem sistematizada. Como diretriz,  o “Design para todos é a intervenção em ambientes, produtos e serviços com o objetivo de que qualquer pessoa, incluindo as gerações futuras, e independentemente da idade, gênero, aptidões ou background cultural, possa contribuir na construção da nossa sociedade com oportunidades iguais, participando de atividades econômicas, sociais, culturais, recreativas e de entretenimento, e tendo condições de acessar, usar e entender qualquer parte do ambiente com o maior grau de independência possível.” Design for All Foundation. O foco é apresentar o design como ferramenta para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, induzindo o seu bem-estar. São três requisitos fundamentais – diversidade, uso público e democratização do acesso – em seis exposições: 1- DESIGN POR UMA VIDA MELHOR (exposição principal). 2- MAKERS E MATERIALIZAÇÃO DIGITAL. 3- CRIAÇÃO CATARINA (projetos do estado de Santa Catarina). 4- MEMÓRIA DO LBDI (um laboratório de design que funcionou em Florianópolis de 1984 a 1997, com grande repercussão nacional). 5- CARTAZES (divulgar os valores vinculados à noção de design). 6- COLETIVOS CRIATIVOS. A curadoria da exposição é da Adélia Borges, jornalista especializada em design, que tem vários livros publicados na área; atuou como diretora do Museu da Casa Brasileira; possui várias exposições sob sua curadoria, tanto no Brasil quanto no mundo. Para que a exposição tivesse a representatividade do design brasileiro, a curadoria selecionou alguns profissionais em cada estado do Brasil para as indicações locais. Fiquei responsável  pelas indicações do Estado de Minas Gerais e partilhei este trabalho junto com a designer Claudia Dias. O curador tem a responsabilidade sobre o conceito e a representatividade das peças expostas em relação ao tema. Considera a importância do produto tanto em relação ao tema quanto à qualidade do design e seu ineditismo, sua diferenciação dentro do contexto para o qual foi criado. Não basta ser um produto bonito ou interessante, ele deve ter uma relação com o meio ambiente, com a sociedade, com o setor econômico, com o contexto para o qual foi criado. Além da responsabilidade conceitual da exposição, o curador se ocupa da organização e estruturação da mesma, divulgação durante todo o processo, realizando palestras e promovendo a discussão sobre o assunto em todos os aspectos. Por isso se organiza em equipes, para garantir a representatividade regional. Neste ano de 2015, a Bienal Brasileira de Design acontece em Florianópolis, Santa Catarina, um estado bastante industrializado e, por isso, uma das diretrizes da exposição é destacar produtos produzidos industrialmente, que reforçam a importante contribuição do designer. Para a seleção dos produtos de Minas Gerais, consideramos a contribuição dos projetos para a sociedade, a qualidade do design, a diferenciação dos produtos e a intenção clara do designer atendendo o conceito do design para todos. São produtos que estão no mercado, ou seja, já alcançam os seus usuários. Entramos em contato com as escolas de design, cooperativas, empresas, ongs, pesquisamos em resultados de concursos, no próprio mercado, escritórios de design, blogs, projetos sociais, associações profissionais, indicações de profissionais, além de alguns designers que nos procuraram para apresentar os seus trabalhos. Enfim, tentamos ampliar o olhar para acolher e valorizar o design mineiro. Foram grandes encontros, mas não foi fácil. O tema Design para Todos tem sido muito discutido, mas menos implementado na sua essência. Temas novos vem como ondas, a onda da tecnologia alternativa (respeito a tecnologias locais), a onda da sustentabilidade, a onda da inovação, e deixam de ser onda quando se inserem integralmente nos projetos e passam as ser requisitos incorporados naturalmente nos projetos pelos designers principalmente. Considero que a onda Design para Todos ainda não foi essencialmente incorporada. Nós designers ainda estamos criando objetos que não consideram o uso de todos nas suas diversidades humanas, o uso público, a melhoria de qualidade de vida e de acessibilidade. E, como todo designer, enxergo oportunidades nas restrções, ou seja, é hora de trabalhar neste sentido! Acredito que essa Bienal irá reviver estes conceitos e reestabelecer a essência do design para todos! Um grande abraço, Cristina Abijaode.

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