ENTREVISTA – Sillas Maciel – Mostra DESIGN

Entrevistado: Sillas Maciel

Assunto: Mostra de Design

Data: 02/09/14

Horário: 15h

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  • Como você distribuiu os conteúdos e ações da Mostra de Design?

Que pergunta difícil. Na verdade por áreas, a Mostra de Design sempre teve um escopo, que era dividido em palestras, workshops, exposições, feira de Design, que é uma das coisas mais legais, e dentro desse escopo, na verdade, eu só criei outros tópicos. Com relação a conteúdo e programação fui atrás de contatos que eu tinha pra inflar esse conteúdo, mas não tinha um pensamento muito complexo fora disso não, é só dividir por área.

  • Qual é o público da Mostra? São profissionais da área?

Não necessariamente. Na verdade a Mostra é um evento de Design  para Designers e não Designers também, porque o mercado criativo não é composto só por Designers: tem artistas plásticos, ilustradores e contratantes de serviços de Design. Então falar que o evento da Mostra de Design é um evento só para Designers não, é pra quem quiser na verdade, tiver envolvimento criativo.

  •  Como você está preparando as atividades específicas para o público geral e para o leigo? Pensa em distinguir as atividades?

Na verdade preparar atividades é muito mais ter uma preocupação em fazer com que o evento tenha uma programação interessante, né?! A ideia é fazer as pessoas não só irem à Mostra de Design, mas que elas se sintam parte da coisa também, então propor atividades que vão desde palestras até seminários nacionais e internacionais ou exposições é uma coisa que está sendo levada em consideração. As pessoas devem encontrar variedade, então não só um tipo de workshop, não só um tipo de palestra, fui variando bastante.

  •  A Mostra pretende criar acesso para pessoas com necessidades especiais? Como?

Boa pergunta! Na Palestra da FUMEC falamos disso. Tinha um menino lá, que se não me engano era surdo e tinha um intérprete, então a ideia é fazer que a Mostra consiga atender essas pessoas também, né. Você se preocupa com um milhão de coisas e isso, pelo fato de não termos muito contato, não vivermos esse mundo, acabamos não pensando, mas depois que rolou isso na palestra temos que começar a correr atrás mesmo. Obviamente vamos lidar com isso aos poucos. Mas a ideia é que tenha sim.

  •  Quais os tipos de experiências que os participantes das palestras podem esperar?

Experiência de se questionar mesmo, a ideia da Mostra é ser um evento em que as pessoas tenham oportunidade de ter uma troca de experiência com uma outra determinada área, uma outra determinada pessoa. Eu projetei a identidade da Mostra pensando nisso, sabe? Não existe um caminho certo no Design, agente pode ter uma experiência em um determinado projeto independente da metodologia aplicada ou independente do caminho que agente faz. Se tu anda por A ou por B e vai chegar em caminhos diferentes, o importante é que tu alcance um resultado esperado. Mas com relação às palestras a ideia é que elas levem um novo pensar para as pessoas. Acho que esse é o principal motivo da palestra, né? Não falar propriamente dito de um projeto em si, mas o que esse projeto representa para alguma pessoa, ou uma área, ou uma coisa do tipo. A ideia é focar em um pensamento que vai te questionar mesmo, vai te levar a ter outro tipo de pensamento que normalmente não se tem, é muito mais esse foco do que um projeto propriamente dito, então é uma experiência mais de pensar e questionar mesmo.

  •  A Mostra já tem dez anos, como ela vem impulsionando o design em Minas Gerais?

A Mostra tem dez anos, mas ela esta indo para a 9ª edição na verdade. Na verdade a realização é do Café com Letras junto com o Instituto Cidades Criativas, que rege o Café com Letras, a Mostra de Design e o Savassi Jazz Festival. A importância da Mostra de Design, não só no nosso meio de Design mas como no meio cultural como um todo, é que ela coloca as pessoas em movimento e consegue criar motivos para as pessoas participarem de algo que elas acham que é interessante para elas. Design em Belo Horizonte a galera enxerga como pequenos feudos, os escritórios, sabe? Mas as pessoas acham que é assim e não é. Muito pelo contrario, os escritórios são completamente abertos às pessoas que procuram. Só que existe esse pensamento meio passivo do belo-horizontino, né?  As pessoas querem que as coisas aconteçam, mas elas não querem fazer as coisas acontecerem. Elas querem que aconteçam do além, ninguém quer pegar o boi pelo chifre, fazer alguma coisa acontecer, as pessoas querem fazer parte de algo já em andamento. Eu acho que isso é horrível pra cidade porque assim você tem esse pensamento de que a cidade é interiorana, o mercado é difícil, porque os próprios criativos, os próprios designers, colaboram com isso. Mas é todo um processo, né? Belo Horizonte fica atrás de São Paulo por causa disso, as pessoas de São Paulo têm mais atitude do que os próprios belo-horizontinos, mas em termos criativos, a maturidade profissional é pau-a-pau, agente tem ótimos profissionais aqui. É o por isso que os projetos daqui não são divulgados, cada profissional daqui tem que pensar um pouco. Através da Mostra agente consegue fazer com que as pessoas saiam de dentro do escritório, saiam de casa e venham para um espaço onde está acontecendo uma série de atividades e lá elas conseguem trocar figurinhas. Essa é a coisa mais legal da Mostra, que as pessoas troquem conhecimento, troquem experiências que muitas vezes elas não têm oportunidade. Os estudantes ficam dentro das instituições, que são legais até um certo ponto, porque a  faculdade te dá um direcionamento, mas o que você vai fazer desse direcionamento depois é uma coisa que depende do que tu quer pra si. A Mostra de Design é um evento de fato aglutinador, de troca de experiências, assim agente tem condições de beber de várias fontes. Eu acho que essa coisa é a mais importante, o impacto que ela causa na cidade. Não é só dentro do mercado criativo e, sim, no mercado cultural da cidade. Faz com que a informação role, a economia rola também, porque assim agente consegue colocar várias empresas em contato com o Design, que gera uma interação entre pessoas jurídicas. O impacto não é só no meio criativo, como um todo, eu acho que é geral, cultural.

  •  Em que você se baseou para a nova identidade da Mostra de Design?

Em caminhos. Não me inspirei em nada visualmente falando, ultimamente eu não tenho aberto muitos livros de referências quando eu estou desenvolvendo os projetos. Eu já sei o que eu quero e o que eu não quero em determinado projeto. As referências são mais para ver como as pessoas solucionam determinados pensamentos do que ver, propriamente dito, um embasamento conceitual. A Mostra de Design é esse evento de troca de experiência, existe independente se ela for boa pra ti, ou pra fulano, o que não quer dizer que ela vai ser boa pra mim. Não existe uma fórmula secreta no Design, existe aquele modelo de trabalho adotado, que me dá um resultado melhor do que um outro que não serve tanto. A Mostra de Design é esse evento de mão dupla, onde o que é bom pra um não é bom pra outro, o que é bom pra mim, não é bom pra ti e assim, na maioria das vezes, o resultado final não quer dizer que existe uma fórmula, então são vários caminhos que agente percorre. A ideia é a de fazer com que a Mostra de Design seja um evento que leve um questionamento para as pessoas, sabe? Será que a maneira que eu estou vivendo, não só profissionalmente, mas pessoalmente falando, está ok? Então os caminhos que agente percorre, as escolhas que agente faz durante determinado projeto ou processo, como fazer com que a Mostra de Design tenha uma marca que a princípio seja 3D, mas ela é 2D, é levar um questionamento para as pessoas. Deixar isso claro, que agente passa por caminhos. Saber se um caminho vai ser melhor que o outro só sabemos vivenciando, só tendo essa experiência. A Mostra é isso, é esse evento em que a identidade só discursa o que é a proposta dela, um evento aglutinador, onde a troca de experiências acontece.

  •  Existe a intenção de que esta identidade seja fixa ou que mude a cada edição?

A Mostra de Design não tinha um discurso baseado em um desenho de marca ou identidade visual. Na verdade ela tinha uma assinatura gráfica por evento e isso era um pouco confuso. Criar uma identidade para cada edição do evento, sendo que o evento não tem um discurso? Ele está embasado em quê? É um evento de quê? Isso estava acontecendo na Mostra, as pessoas estavam criando identidades que não tinham um embasamento conceitual, não eram fundamentadas em algum pensamento, em algum conceito. Mas a proposta da Mostra é ser um evento criativo em Design. Ela tem um propósito, ela tem um foco, que não é Design Gráfico, não é Design de Moda, não é Design de Produto, não é um foco em uma área de Design propriamente dita. Então eu só me envolvi na curadoria, na verdade, porque eu precisava entender qual era a proposta da Mostra de Design. Desenvolver uma identidade, ok, porque eu sei que eu vou me dedicar o suficiente para ela ser uma identidade muito legal mas, ao mesmo tempo, o que eu vou fazer com essa identidade? Projeto de Design tem uma função, ele tem que criar, ele tem que cumprir com alguma coisa que está sendo proposta pra ele e no caso da Mostra de Design era discursar sobre o que é a Mostra. Mas o que era a Mostra de fato? Eu ia desenvolver um elemento bonito ou eu ia desenvolver um elemento que de fato que tenha um papel a cumprir, sabe? O pensamento conceitual da marca, com toda a proposta dela de ser esse evento que ela está começando a ser, permanece. Então, a ideia é fazer com que ela tenha uma unidade visual em todas as edições da Mostra. Isso não existia e agente perde muito com isso, agente sabia que a Mostra de Design estava acontecendo porque as pessoas começavam a falar, e tal, mas não existia um ícone gráfico para representar a Mostra. Foi um trabalho de discurso de marca mesmo, quase um branding, a ideia é essa.

  •   Nesta edição a Mostra de Design vai ter algum concurso ou premiações para projetos de design?

Eu queria. A Mostra tem o concurso de cartazes. O tema provavelmente vai ser “experiências” mesmo, o processo na verdade. Assim a Mostra tem um interesse enorme em apresentar o que os profissionais passam durante a desenvoltura de um projeto. Quando você está trabalhando em um projeto você vai de A à Z, trabalha de dia ou de madrugada e não necessariamente quer saber se a metodologia serve para algum outro projeto. O interessante é agente ter acesso a esse processo. Eu quero saber o que deu errado, quero saber o que deu certo e, quando dá certo, quero saber que “perrengue” você passou para você ter conseguido um prêmio. O foco não é propriamente dito no resultado, o foco é no processo que te levou a ter um resultado legal.

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